Paquistão declara “guerra aberta” com talibãs do Afeganistão
Foi na rede social X que o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, anunciou o ponto de rutura. “No passado, o papel do Paquistão tem sido positivo. Acolhemos cinco milhões de afegãos por 50 anos. A paciência acabou. Agora é guerra aberta entre nós”, pode ler-se na publicação.
“O Paquistão fez todos os esforços para manter a situação normal através de meios diretos ou através de países amigáveis (…) Hoje quando tentarem atacar o Paquistão com agressão, as nossas forças vão dar uma resposta decisiva”, escreve Asif.
O ministro da Defesa explica ainda que esperava que a paz prevalecesse entre os dois países, mesmo após a retirada das tropas da NATO. “O regime talibã transformou o Afeganistão numa colónia da Índia”, escreve e acrescenta: “Reuniram terroristas de todo o mundo no Afeganistão e começaram a exportar o terrorismo. Privaram o próprio povo de direitos humanos básicos e retiraram às mulheres os direitos que o Islão lhes garante”.
“O exército paquistanês não veio além-mar. Somos vossos vizinhos. Conhecemos os caminhos por dentro e por fora”, termina o ministro.
Segundo relatos de jornalistas de agência France Press, já se ouviram explosões em Cabul, capital do Afeganistão, seguidas de rajadas de tiros. Isto acontece poucas horas depois de o governo talibã ter anunciado uma ofensiva na fronteira contra o Paquistão. “As duas primeiras explosões estavam mais longe da nossa casa. As últimas foram perto e fizeram a nossa casa tremer. Podemos ouvir jatos após cada explosão”, contou um afegão à AFP.
Um caminho de tensão e um cessar-fogo temporário
Nos últimos anos, a relação entre os dois países deteriorou-se significativamente, sobretudo desde a tomada de posse pelo regime talibã em Cabul, em 2021. Ao longo de 2025, houve vários confrontos ao longo da fronteira, disparos e tentativas de infiltração por militantes, mortos e feridos de ambos os lados. Em outubro de 2025, os confrontos levaram à morte de dezenas de pessoas em incidentes fronteiriços, os mais violentos desde 2021.
Na sequência dos confrontos, o Paquistão e Afeganistão cumpriam um acordo de cessar-fogo desde 2025, mediado pelo Qatar e Turquia. A rutura veio na sequência de ataques do Afeganistão a instalações militares paquistanesas, em resposta a bombardeamentos no passado fim de semana com vítimas mortais.
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